março 01, 2010

Dilma x ????

A nova pesquisa eleitoral publicada ontem pelo Datafolha soa praticamente como um ultimato à oposição, e principalmente ao dito pré-candidato José Serra, para que oficialize a sua candidatura e entre de forma definitiva e objetiva na disputa presidencial.
Os números apresentados neste novo levantamento consolidam a ascenção da candidata petista e a estagnação de Serra numa faixa de intenção de votos que na verdade nunca foi muito diferente. O tucano, que alcançou pico de 38% nas pesquisas anteriores agora recua para 32%, enquanto a candidata petista, que nas primeiras pesquisas aparecia em terceiro lugar com poucos 13% agora alcança 28%. Analisando as pesquisas desde seu início, tem-se uma diminuição gritante na diferença entre os dois candidatos: de 25% do início para apenas 4% agora.
É cedo ainda para se afirmar, mas essa pesquisa pode indicar a reação a qual toda ação está sujeita. Neste caso, a do ex-presidente FHC, que a contragosto dos próprios tucanos, entrou na disputa e chamou para si próprio a tarefa de fazer o que nenhum candidato anterior havia feito: defender os seus oito anos de governo. Aplaudida por todos diante dos holofotes, as palavras de FHC contra Dilma e o governo Lula deixaram Serra e seus aliados extremamente descontente e intensificaram a tensão interna em torno da sua campanha. De acordo com eles, a atitude de FHC trouxe à tona um debate que a oposição vinha tentando evitar a todo custo: a comparação entre os dois governos. Debate esse que Lula e Dilma vinham tentando emplacar a todo custo, e graças ao tiro no pé do ex-presidente, parece tornar-se a partir de agora um dos focos da campanha. Como a oposição conseguirá daqui pra frente evitar um assunto que uma das suas principais figuras fez questão de citar? A disputa eleitoral favorável aos petistas, que até então não enfrentaram uma oposição de fato, pode agora ter tomado definitivamente o rumo desejado por eles, e sempre temido pelos tucanos.
A lentidão de José Serra em assumir sua candidatura pode se dever à fatos que vão além do simples debate de campanha. Serra sofre com um teto eleitoral, e tudo indica que não crescerá muito além dos percentuais já apresentados. Prova disso é uma outra pesquisa, indicando que Serra é conhecido por 98% do eleitorado. Dilma, conhecida por 84%, apresenta na teoria um potencial de crescimento considerável. Outro complicador é a debandada do mineiro Aécio Neves, peça fundamental na composição da chapa tucana como vice de Serra, e que desde janeiro abandonou a candidatura à presidência e se mostra decidido a brigar por uma vaga no senado. Sua presença na composição da chapa comprovadamente traria um incremento nas intenções de voto a favor dos tucanos. Pesa ainda contra Serra, seu próprio medo de um novo revés ma disputa pelo plantalto, o que a esta altura praticamente encerraria suas pretensões de se tornar presidente; derrotado agora, com certeza a aposta tucana para 2014 não seria nele, e sim em Aécio.
Com a reeleição ao governo de SP assegura já no 1º turno e a eleição à presidência cada vez mais ameaçada, Serra tem um enorme dilema nas mãos e pouquíssimo tempo para se decidir. Se demorar a assumir sua candidatura, pode ver seu nome em segundo lugar já nas próximas pesquisas. Se isso acontecer, é provável que a partir de abril seu nome já nem figure mais entre os presidenciáveis e passe a liderar com folga e de maneira oficial a lista dos candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.

Um comentário:

thebruna disse...

Como vc mesmo me falou uma vez, o Serra quer entrar nessa só se for pra ganhar ... enqt o governo de são paulo está la assegurado pra ele. Mas o melhor é o Fhc todo injuriado, agindo da maneira que o Pt quer e estragando as estrategias de campanha do seu partido!
Muito bom o texto :]

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