janeiro 07, 2010

Tempos modernos

Mal começou 2010 e já estamos presenciando a primeira polêmica do ano envolvendo o Palácio do Planalto e as Forças Armadas. A bola da vez é a decisão sobre a compra de caças para a renovação da frota brasileira - disputam o fornecimento dos equipamentos França, Suécia e EUA. Vale lembra que a decisão da compra já causou polêmica suficiente no ano que passou. Polêmica que não se justifica, dada a precariedade em que se encontram nossas forças de defesa e a crescente necessidade de um estratégia de defesa do nosso território. Ora, qualquer país com posição e destaque internacional muito inferiorores aos nossos apresenta equipamentos militares mais avançados do que os brasileiros.
A questão é que o Presidente Lula se colocou numa posição extremamente delicada, quando da recepção ao presidente francês Nicolas Sarkozy. Na ocasião, Lula afirmou que os caças franceses seriam os ideais para os interesses brasileiros e praticamente definiu a concorrência a favor da França.
Acontece que meses se passaram e agora a FAB, responsável pela avaliação técnica dos concorrentes, deixou vazar um relatório conclusivo em que aponta como melhor opção o caça sueco Gripen e coloca o caça francês Rafale na última colocação da disputa. O clima que se criou entre o Planalto e a FAB após a divulgação desse relatório foi dos piores possíveis.
A FAB aponta, entre outros motivos, a relação custo-benefício dos caças; o francês é o mais caro dos três enquanto o sueco apresenta o menor valor. Diante disso, críticos de plantão despejaram uma avalanche de críticas contra o Presidente Lula por, há epoca do encontro com o presidente francês, ter anunciado a compra do agora sabido mais caro caça entre os três.
Mas a decisão tomada de antemão por Lula vai muito além de valores; envolve uma jogada política e econômica que pode render muitos frutos ao Brasil. Lula tem pleiteado uma vaga no Conselho de Segurança da ONU há anos, tem assumido posições de liderança em diversas reuniões entre países, e cada vez mais tem colocado o Brasil entre as principais nações mundiais. E para isso, Lula sabe que precisa de um aliado de peso no cenário mundial. Suécia ?? Que força teria um apoio sueco à uma reinvidicação brasileira?? EUA?? Qual reinvidicação seria apoiada pelos EUA a não ser a suas próprias ?? Para quem achar que essa conversa soa anti-americanismo, lembre-se do que ocorreu na COP-15 em Copenhagen. Nessa situação, a França se encaixa perfeitamente no papel de prima rica que Lula deseja para o Brasil e o fechamento desse negócio entre os dois países firmaria uma relação que já vem sendo construida há algum tempo. Relação extremamente importante, diga-se de passagem.
E para isso, Lula rapidamente exerceu a força e influência que dispõe atualmente para se livrar da saia-justa em que se enfiou. A FAB divulgou, dois dias após o vazamento do primeiro, um novo relatório em que simplesmente avalia os três caças do ponto de visto técnico, sem apontar uma classificação entre eles. Assim, o governo tem agora o caminho livre para decidir quem leva a disputa. Ao que tudo indica, a preferência de Lula se fará ordem e daqui algum tempo teremos Rafales sobrevoando nossas cabeças.
Agora, uma coisa deve ser dita: para quem viveu o período da ditadura brasileira, com toda dureza e crueldade dos militares, ver agora um orgão militar se encolhendo diante de uma decisão do presidente, voltando atrás na sua própria decisão, é realmente um fato inusitado. É a demosntração da perda de força dos militares de hoje.
É um tapa no quepe do general.

2 comentários:

thebruna disse...

é uma grande reviravolta de décadas passadas pra ca né? e o seu querido presidente esta mais que certo em querer bons aliados, que nunca fazem mal pra um pais que esta crescendo ;]

:***

Moacir Assunção disse...

Olá, gostei, parabéns, o seu comentário está bem equilibrado. Realmente, neste caso Rafale a compra é mais do que o avião. O Brasil quer uma parceria estratégica com um país com o qual é ligado culturalmente desde o tempo do Segundo Império. Até mais,
Moacir Assunção

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